MILÃO, 20 de junho — Um robô com sobrancelhas expressivas, concebido para realizar tarefas básicas e libertar os profissionais de saúde, está a ser testado por um hospital em Milão.
Denominado "Alter-Ego", o robô com 1,2 m de altura pode substituir um médico a trabalhar à distância, trazer uma garrafa de água a um doente ou guiá-lo até ao tratamento.
Daniel Senna, um doente de 31 anos do Hospital Maugeri, transmite o seu nível de dor num ecrã fixado ao peito do robô.
"Olá, Dani. Como estás? Precisas de alguma coisa?" pergunta o Ego a Senna, que se desloca em cadeira de rodas, enquanto os dados recolhidos são enviados instantaneamente para as enfermeiras da enfermaria.
O robô está a ser testado desde abril num departamento que trata doentes com esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa.
"No início, tínhamos receio de que o doente pudesse ter uma reação negativa", disse Christian Lunetta, diretor do departamento de reabilitação neuromotora do hospital, à AFP.
Mas rapidamente ficaram "muito satisfeitos, porque o robô foi concebido para despertar curiosidade e os seus movimentos, ou pelo menos as suas funções, sugerem uma ampla gama de utilizações potenciais".
Aliviar a carga
O projeto é uma colaboração entre o Instituto Italiano de Tecnologia e a Universidade de Pisa, no norte de Itália, e está atualmente a ser controlado remotamente por um operador.
A partir de julho, o robô funcionará de forma autónoma.
O avanço da inteligência artificial (IA) acelerou significativamente o progresso na robótica, mas os robôs ainda precisam de muito treino para funcionar de forma independente.
O objetivo da experiência em Milão é trabalhar com doentes e cuidadores para compreender melhor os limites do que um robô pode ou deve fazer numa enfermaria hospitalar, afirmou Manuel Catalano, do Instituto Italiano de Tecnologia.
O "Alter-Ego" poderá também vir a assistir os doentes e os seus cuidadores em casa, disse ele.
Lunetta salientou que os hospitais "têm tarefas repetitivas" que "poderiam ser delegadas a um bom robô".
"Isto também nos permitiria valorizar melhor os seres humanos, dando-lhes tempo para se concentrarem na relação humana que devem manter com o doente", afirmou.
As enfermeiras monitorizam os doentes enquanto distribuem medicamentos, captando sinais sobre o estado físico ou mental.
O "Alter-Ego" pode parecer capaz, mas "ninguém considerou delegar diretamente a administração de comprimidos" ao robô, disse a neurologista Rachele Piras.
Ainda assim, pode ser útil de outras formas, "à medida que a doença (neurodegenerativa) progride", disse ela.
Os doentes poderão sentir-se mais livres ao poder pedir coisas diretamente ao robô, o que também reduziria as tarefas de um cuidador, permitindo-lhe "voltar a ser simplesmente um companheiro, mãe ou filha". — AFP


