O tráfego através do Estreito de Ormuz ficou sob controlo iraniano desde o início da guerra com os EUA e Israel a 28 de fevereiro. (EPA Images pic)
TEERÃO: Os meios de comunicação estatais iranianos afirmaram na sexta-feira que, ao abrigo de um acordo provisório com os EUA, Teerão não abdicaria do controlo sobre o estratégico Estreito de Ormuz.
"O Irão não assume qualquer compromisso neste texto de ceder a gestão do estreito ou o restabelecimento das condições existentes antes da agressão militar americana e israelita", de acordo com a agência noticiosa oficial IRNA, que se referiu às "linhas gerais do texto atual" em fase de finalização.
O tráfego através de Ormuz, uma rota marítima global vital, ficou sob controlo iraniano desde o início da guerra com os EUA e Israel a 28 de fevereiro.
O Irão, que apenas permitiu a passagem de um reduzido número de navios pelo estreito, insistiu que as embarcações obtivessem autorização das suas forças armadas antes de transitarem.
Na quinta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ter cancelado ataques planeados contra o Irão e declarou que um acordo para pôr fim à guerra poderia ser assinado nos próximos dias.
No entanto, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baqaei, disse que o país "não chegou a uma conclusão final" sobre um acordo.
Na sexta-feira, a agência noticiosa iraniana Mehr, citando uma fonte próxima da equipa negociadora do Irão, publicou o que disse ser o texto de um acordo provisório em fase de finalização.
O projeto, disse, poria fim à guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, permitiria a libertação de 24 mil milhões de dólares em ativos congelados do Irão e estabeleceria um período de 60 dias para negociações sobre o programa nuclear de Teerão.
Inclui também a "suspensão das sanções sobre a venda" de petróleo e produtos petroquímicos iranianos, e "o levantamento total do bloqueio naval dos EUA" aos portos iranianos, em vigor desde 13 de abril.
A Mehr disse que o projeto sublinha a necessidade de os EUA e os seus aliados pagarem ao Irão reparações pelos danos causados pela guerra e "de apresentarem planos de reconstrução para o Irão no valor de pelo menos 300 mil milhões de dólares".
"As negociações finais não começarão antes da libertação de metade dos fundos bloqueados do Irão, da suspensão das sanções petrolíferas ao Irão e do levantamento do bloqueio naval", acrescentou.
O programa nuclear iraniano tem sido uma questão controversa para Washington, que há muito insiste que Teerão deve abandonar as suas capacidades de enriquecimento e transferir o seu stock de urânio altamente enriquecido para o estrangeiro.
A agência noticiosa oficial IRNA, num relatório separado, afirmou que o Irão iria "negociar apenas o programa nuclear exclusivamente no âmbito dos princípios fundamentais da república islâmica".
"Questões como o direito do Irão a enriquecer urânio e a retenção de material enriquecido pela República Islâmica do Irão serão enfatizadas com vista à sua inclusão no acordo final", disse.


